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02/08/2017 20h01

Mulher que foi presa por ser cristã é liberta, após 4 anos de maus tratos

Apesar de estar em liberdade, Maryam Zargaran enfrenta uma série de problemas de saúde adquiridos na prisão



Após passar quatro anos presa por "violar a segurança nacional", a cristã iraniana Maryam Naghash Zargaran foi libertada da cadeia de Tehran (principal cidade da República Islâmica do Irã) em Evin, na noite da última terça-feira (1). Ela deveria ter saído quatro dias antes, no dia em 28 de julho, mas, como informou o site Mohabat News, sua liberdade foi adiada sem qualquer explicação.

Maryam, de 39 anos, é uma mulher cristã que abandonou a fé islâmica para servir a Jesus. Ela foi interrogada pela primeira vez, por oficiais da inteligência, em janeiro de 2010 por causa de seu trabalho com igrejas subterrâneas ou "igrejas domésticas".

Em janeiro de 2013 ela foi presa ao lado do pastor iraniano-americano Saeed Abedini por estar em conexão com seu trabalho em um orfanato. Ambos foram sentenciados alguns meses depois. Abedini foi libertado em janeiro de 2016, após pressão do governo dos Estados Unidos.

De acordo com o Mohabat News, citando parte da carta de condenação de Maryam, o tribunal a condenou a quatro anos de prisão por atos que estavam "de acordo com a agenda anti-segurança da Inglaterra e da Palestina Ocupada [Israel], por espalhar o cristianismo no Irã com o objetivo de perverter sociedade iraniana".

Maus tratos

Enquanto Maryam estava na prisão, ela foi assediada e repetidamente teve tratamentos médicos negados. Para protestar contra isso, ela realizou uma série de greves de fome. Em algumas ocasiões, chegou a ser autorizada a deixar a prisão temporariamente para receber tratamento, mas sempre era obrigada a retornar antes que tivesse uma melhor condição de saúde. Ela então teve sua sentença aumentada em mais seis semanas para compensar o tempo que passou fora da prisão.

No ano passado, sua família disse que as condições da prisão tinham traumatizado a cristã. Foi relatado também que ela estava com depressão. A Amnistia Internacional referenciou seu caso quando acusou o Irã de uma “cruel negação” de cuidados médicos em suas prisões.

Maryam teve de fazer uma cirurgia cardíaca há dez anos e precisa de exames médicos com frequência regular. Ela também foi diagnosticada com problemas no disco lombar, artrite e osteoporose. As condições estressantes na prisão pioraram sua condição cardíaca congênita, relatada como defeito Septal Atrial (também conhecido como "buraco no coração"), o que pode reduzir os níveis de oxigênio do sangue.

Liberdade religiosa?

Mansour Borji, do grupo de advocacia do artigo 18, disse ao World Watch Monitor que sua "detenção injusta, apesar dos graves problemas de saúde, é uma clara evidência da falta de respeito do Irã em relação a liberdade religiosa". Ele ainda afirma: "Parte dessa supressão se reflete no aumento do número de prisões, mas também tenta fazer campanha contra as minorias religiosas, especialmente os cristãos".

Nos últimos meses, uma dúzia de cristãos, principalmente os de origem muçulmana, foram condenados a longas prisões com períodos de 10 anos ou mais, levando dois cristãos presos a realizar greves de fome. Mais recentemente, Amin Afshar Naderi, condenado a 15 anos de prisão, foi libertado sob fiança depois de passar três semanas sem comida.

 

 

 

 

 

Fonte: World Watch Monitor